dez 102013
 

Lendo um post sobre a polêmica em que foi substituída a Pitanga pela Lima na apresentação da FIFA eu me questiono, quem escreveu já sofreu algum tipo de preconceito racial antes?

Eu percebi vivendo em SP que existe algo que vai além do preconceito direto contra os negros e pardos desse país. Para se ter uma ideai do que estou falando vou relatar duas situações pelas quais eu passei.

Fui a um encontro de astrofísicos na cidade de São Paulo, era o meu primeiro evento como Doutor em Astrofísica. Chego para o atendente e digo:
- Vim para o evento.

Estava com malas, poster e tudo mais. O sujeito olhou para o meu rosto, pegou o rádio e me disse:

- Vá lá embaixo.

Eu fiquei perdido, e achei que existisse algum esquema especial.
Na verdade não, o cara olhou para mim e logo julgou que eu era uns dos rapazes que que carregavam os equipamentos para o suporte de painéis.

O atendente não me perguntou mais nada, simplesmente me olhou, viu a minha cor e talvez as minhas vestes e jugou que eu não poderia ser um dos Doutores que estavam ali para participar do evento.

Agora me digam se isso é preconceito ou não?

Outro fato que eu nem digo que foi um preconceito direto, mas que retrata a questão do estigma racial.

Eu estava em um outro lugar e uma criança de cerca de três anos me olha e fica preocupada e pergunta para o pai.

- Ele é o guarda, ele é o guarda?

Estavam ali vários outros pais, com uma diferença, eram brancos. Sei que a pequeninha não estava me tratando de forma preconceituosa, mas ela só estava revelando o estigma de que negro ou pardo são pessoa que ocupam os cargos de camada mais baixas.

Não estou aqui menosprezando nenhuma profissão apenas quero dizer que a classe média branca não está acostuma a ver negros e pardos ocupando posições como cientistas ou administradores. Estão acostumados a verem negros e pardos apenas como faxineiros, porteiros, carregadores, meninos de ruas, pobre e favelado.

O que vemos nesse nosso país é um preconceito velado e que retrata o nível de desigualdade em que a maioria de negros e pardos viveram e vivem até hoje.

É muito fácil criticar a apuração de preconceito na decisão da FIFA, por escolher um casal branco ao invés de um casal formado por uma parda e um negro, quando nunca "sentiu na pele" a dor provocada pelo "chicote" do preconceito velado que perpetua nesse país.

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